skip to main |
skip to sidebar
" MANHÃ INOCENTE "
Manhã de sexta-feira, no meu quarto...O Poeta em mim, mal me sentiu acordado, segredou-me intimamente :
" Esta manhã inocentePálida...Veio aprisionada em sua redoma de cristal.Apesar disso é feliz...FelizPor ser de natureza iluminada.
Depois dissoOu seja :- Para cá disso,É mais feliz que sua MãeA NOITE ... "
É aqui que inesperadamente me interrogo:" O que é a noite ?... "E logo respondo:- É o princípio de todas as coisas ... "
Mas é precisamente aqui que me engano !...Porque pensando melhor...Sem luz não haverá sombra.Então, que história é essa das TREVAS ? Que princípio é esse ?...É óbvio, o Poeta leva-me sempre ao NADA, porque pensando bem, quando o Poeta falou da " manhã ", NÃO FALOU DE COISA ALGUMA... A manhã, não só não é visível, como não existe de facto.Qualquer manhã, É ALGO QUE SE INVENTOU E SE DEIXOU EM PLENA CLARIDADE.
Quanto á " noite ", o ser " mãe " é o de menos, porque a noite não é mais do que sombra, e o resto que circunda esses valores É MERA POESIA.Enfim, no somatório destes instantes repetidos, não passamos todos de Poetas, exageradamente Líricos.Devemos pois, antes de aceitarmos o jogo, procurar a realidade dos factos, isto é, saber o que se passa... tal como agora o faço... em silêncio...
( Bom-fim-semana ! )Pain-Killer
" O FIM...DA TARDE... "

Um vento norte assolou a praia.Era impossível permanecer ali...
Que dia será hoje?De qualquer maneira, excuso de saber.Tenho a certeza de que nenhum outro dia poderá coincidir com isto que sinto cá dentro..
Esta tarde, o poeta em mim murmurou:
" Uma aragem fria
Atravessou a cidadeDuma ponta a outra...
É um aviso!
A tarde vai morrer
Escoando-se em luz... "
Existe aqui um pouco de coincidência, de facto nalguns telhados a sombra escorria lentamente, só que as pessoas tinham mais em que pensar.
Interiormente, cada uma delas, agia á sua maneira...Umas, trepavam penosamente pelas suas preocupações, balouçando-se na esperança.Outras, travavam duelos terríveis com palavras vãs, mas a angústia acabaria por feri-las.Havia outras ainda, passando parte do tempo "vestindo roupa alheia", mas o desejo, ficar-lhes-ia dentro das montras, aprisionado.
Sei lá... havia tanta gente...

" Lembro-me ainda da tarde,
E tenho pena...
Pena porque ela não existia
E tinha que morrer... "
Pain-Killer
" NATUREZA MORTA "
O que são palavras ?Palavras são coisas,Que preenchem a consciência do vazio...Como um céu estrelado, independentementeDa tendência que têm para fazer crêr...
E é curioso...Desde a mais simples sensação,Ao raciocínio sem palavras,HÁ QUALQUER COISA DE NEUTROSubstituindo-as pelo seu avesso.
Os intelectuais dizem que as palavras estão " delidas "...
GASTAS,
INEXACTAS,
INSUFICIENTES...
Mas não creio...
Penso que servem perfeitamente
Para explicar o nosso " mundo inventado ".

Mas eu não vivo neste mundo...
Vivo paralelamente a ele,
Onde as palavras
São mais que suficientes
Para a minha verdade. Desilusão... Assim é tudo!...Assim é, tal como isto:-" No tempo...no acaso...Antes do tempo, sem ter acaso,E sem ter tempoDe ser tempo por acaso."
( Adoro brincar com as palavras!... )Assim é tudo...assim é...tal como isto:- "Só conhecemos alguém,A partir do instanteEM QUE SOMOS DESILUDIDOS.ASSIM É, ASSIM SERÁ SEMPRE... "
Porém, não pretendo ser exemplo para ninguém...
Exemplos, dão-nos os frutos em suas belas árvores...Eles só se libertam quando se desprendem por si,Mas quando caem, já vêm mortos.
( Bom-fim-semana )Pain-Killer
" QUERER "
SOU !...Sou quando não queroE queroQuando não sou.QUERER...QUERO !...Quero sempre,Quando quero e não quero...Enquanto que o " outro ",É somente o que queroQUANDO NÃO QUERO PARA MIM.
A noite é sempre silenciosa...Os próprios ruídos estão cercados de silêncio...A noite não dá respostas, nem toma decisões...Ás vezes é preciso escutar o animal cá dentro! Aquele animal, que nem sempre obedece ao cérebro !... Quero conhecer em pormenor o meu instinto !...
De repente, em forma de esboço, um sorriso desenhou-se em meus lábios...O sorriso ganhou corpo, penetrando cada vez mais.O sorriso era um sinal, o SEU sinal, mas muito em antes, a noite havia poisado em meus ombros na forma de uma estranha neblina.
Sinto-me frustrado...desconheço-me.Apenas sei que o ser-humano, dorme por enquanto á superfície do seu ser, sem no entanto suspeitar de coisa alguma, e que simultâneamente se comporta como um cego, enveredando constantemente pelo caminho do dia anterior.E nada explicará melhor a minha frustração, do que a pureza das crianças.
( SER HOMEM NÃO É BOM ! )Pain-Killer
" A MINHA CÔR... "
Está frio...Estes vidros embaciados esperam qualquer coisa...Para já,um cinco geométrico,enquanto o dedo molhado arrefece progressivamente.É quase dia...A luz parece regressar,Enquanto a côr me dará a noção errada de ter feito o resto.
Ás primeiras horas da manhã,segredei para mim mesmo:-Ao recordar-me de ti, sei que vou adormecer...Mas adormecer, é desistir de qualquer coisa...Por isso resisto, Não quero desistir de ti...
Odeio a rotina!...Esta rotina onde tudo são compartimentosDuma prisão quase perpétua,Que para o efeito serve!...
Em compensação,Esta noite,deixa-me feliz,Só de imaginar que neste instante,Uma criança dorme em paz e segurança,Protegida no aconchego de sua Mãe.
Pain-Killer
" INTROSPECÇÕES... "
5 de Abril de 2006,é de madrugada ...dois minutos antes e depois de qualquer coisa...
"Acabei de sonhar...é pena...E se deixasse de fumar?É melhor não pensar nisso!...Fechado no silêncio ou no meu quarto?Passemos á frente!Tenho sede...o nível da água neste copo transparente,acentua a quantidade,e aparentemente dá-lhe um certo peso que não tem.
Vocês sabem lá...Sabem lá o que senti por ela...Eram duas,Eram duzentas,Eram mil,Eram milhões,Eram todas as horasDeste velho mundo...
Quase exacto,por não coincidir com coisa alguma.E agora ,EIS-ME!...Regressado á conveniente realidade,preso nesta noite silenciosa,Olhando o céu distante,A presença infinita das estrelas ausentes...Verificando deste modoAonde não estou exactamente.Mas o mais angustiante,É saber que não há fuga possível!...
Amo-me demasiado,Por isso A QUERO DESTA MANEIRA!..."
Pain-Killer