Friday, September 15, 2006

" CONSCIÊNCIA ... "














Na manhã seguinte, o poeta possívelmente arrependido de alguma coisa, perguntou: " O que é ter consciência? " a isso, respondi o que responderei sempre...

" O que é ter consciência?... "

- Ter consciência
É SER TESTEMUNHA.















É pois

A forma de garantir
Aquilo que se sente
Que se vê...



















OU SE PENSA VÊR

Aquilo que se pensa
Em que se pensa...

Antes disto,

Impõe-se á consciência
Qualquer coisa
QUE NÃO SENDO A CONSCIÊNCIA,
A tem como sua.

" Ter consciência
É SER CONSCIÊNCIA? "














- É em vez disso,

SER CONFIRMADO
NAQUILO QUE SE É,
OU SE PENSA SER...
Isto é:
Reafirmado por ela mesma,
Consciência.
Só assim o homem,
O homem sucessivo
PODERÁ COINCIDIR CONSIGO PRÓPRIO...












" Saber de si?...


- SABER QUE PENSA!...
E ao dar por si,
SAÍRÁ DE SI...

" E pensa-se? "



















- PENSAR

É talvez isso,
NISSO!...

Ao pensar-se, o Homem

QUASE DECIDE
Sobre o que tem como determinismo,
Sobre o que registou em dado tempo...














Enquanto que a consciência

NÃO PODE REFLECTIR SOBRE O QUE É,
Nem sobre aquilo
QUE FOI CAPAZ DE SER...












E simultâneamente

NÃO SABE
Que tem consciência
Da consciência infinita.



















Em relação

Ao que terei dito anteriormente,
Ela é antes disso
NOMEADA
No instante oportuno...
E para cá do mais,
DESCONHECE O HOMEM.



















" Então ter consciência
É isso?!... "















- DUMA FORMA CONSCIENTE,

PENSO QUE SIM!...

Uma música: " FEEL " - George Duke

( Bom-fim-semana! )

Pain-Killer

Wednesday, September 13, 2006

" MELODIA DO ENCERRAMENTO "















( Foto de: DANIELA ROCHA )

Vamos sendo

Conforme o que fazemos.


Razão

Porque um homem

Não é somente um homem.


Razão porque a vida

Não é apenas vida.


É tudo tão somente

Um
pouco mais que tudo.

( Também teu Pai será sempre um pouco mais que tudo...

ainda que só para ti, peixinho... espero que o seu click, tenha sido breve e sereno... como o das tuas fotos. )


Encerra-se um capítulo, mas logo outro se inicia...
É A MELODIA...DA VIDA.

PAZ Á SUA ALMA...


Deixo-te a minha oração e sentidas condolências, Dani she...

Espero que atenue essa dôr profunda...

Um abraço carinhoso e sentido, para ti e restante família,


Miguel

Friday, September 08, 2006

" CÂNTICO NEGRO "




















" Vem por aqui ! "
Dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
Há, nos meus olhos, ironias e cansaços
Então cruzo os braços,
E nunca vou por ali...














A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre de minha mãe.



















Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...



















( Foto de: Adriano Cardoso )

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: " vem, vem por aqui ? "
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...



















( Pormenor do óleo primitivo de :
Mathias Grunewald - O CALVÁRIO )

Se vim ao mundo,
Foi só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.



















Como pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...














Ide!
Vós que tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!



















E levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.



















( Óleo sobre tela de: Kandinsky )

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: " vem, vem por aqui ! "
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se levantou.
É um átomo a mais que se animou...



















Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Só sei que não vou por aí...
















( José Régio )

Uma música: " My epitaph " - KING CRIMSON
do magnífico album - In the court of the Crimson king )

Bom-fim-semana para todos...e façam por ser felizes!

Pain-Killer

Thursday, September 07, 2006

" LIVRO ABERTO "














É noite...
O poeta olhando para mim sorriu-se, só que desta vez, nada tinha que ver com a noite.
Era talvez o desejo duma frustração antiga...
DISTÂNCIA, TEMPO, que aos poucos se impunha, avolumando cada vez mais a sua intenção obstinada.














" Distância e tempo
São a mesma coisa? "

- Não!...

" Como provas isso? "

- Do modo mais simples:
SEM TEMPO NÃO HÁ DISTÂNCIA
E SEM DISTÂNCIA NÃO HÁ TEMPO.











De súbito, o poeta captou o desejo e constatou que desejar é ir ao fundo da esperança e da presença.


" Desejar?
O que é desejar? "

- Já to disse.

" Creio que não. "

- Ah! Pois...
Já percebo...
DESEJAR
É tentar o que em princípio
Parece situar-se
No quase inabitável














NA CASA DE DEUS...


" Tens sempre resposta a dar! "

- Isto nunca mais pára,
O LIVRO JAMAIS SE FECHA!...
Por isso
NÃO HÁ OUTRO CAMINHO:













Terás de ir ao fundo

Dessa tua esperança
Para saberes que o futuro
É tempo que nos sobra!...



















" Tempo presente? "


- Projectado!...

Pouco depois, afastei-me desinteressado, e enquanto assim o fazia, cada vez se tornava mais próxima a semelhança que o poeta tem comigo.
Era de facto, qualquer coisa sobressaindo daquela noite...




















Qualquer coisa a deixar-me recordar a idéia que neste preciso momento tenho da minha própria figura.


Uma música:
" Love reborn " - FLORA PURIM

Pain-Killer

Tuesday, September 05, 2006

" CAMINHANDO PARA O MEDO... "




















Hoje, enquanto caminhava sobre a areia fresca, uma criança abordou-me perguntando: " De quem é o mar?... " E em antes que eu pudesse responder-lhe, a criança fugiu, correndo em direcção contrária... será que se eu lhe dissesse que o mar é de todos, ela acreditaria em mim?...
Penso que sim... pois só os adultos duvidam da verdade agradável... de súbit
o, o poeta, quebrando aquele breve momento terno, indagou:

" Para onde vais?... "

- Não sei...
Sigo apenas na espiral,
Desprezando o conformismo...
NADA DE PARAR!...



















" O idêntico e o inseparável

Não se adaptam á tua consciência? "

- Não!...
Por isso sei que o meu relógio
SÓ PÁRA UMA ÚNICA VEZ!...
Por isso mesmo ainda,
ODEIO A NOÇÃO DE ETERNIDADE
Pela simples razão
De qualquer tipo de limite
Estar infalívelmente ao meu alcance.



















" O que é para ti a eternidade? "


- O que é?...

" Será realmente
- A IMAGEM MÓVEL DO TEMPO -? "

- Aí está uma frase
Extraordinariamente bela,
Mas essencialmente poética!...
Meu caro:
SÓ NA MATÉRIA EXISTE MOVIMENTO!
E para cá disso,
NÃO HÁ
Qualquer tipo de imagem no tempo.

" Mas trata-se da IMAGEM DO TEMPO! "














- Qual imagem!?

O TEMPO É INEXPRESSIVO.

" Como explicas isso? "

- NÃO TEM APARÊNCIA.

" Nenhum objecto é imóvel? "

- Só a eternidade o poderá ser...
ESSA AUSÊNCIA TOTAL
FECHADA!...














" No que acabo de ouvir

Algo me deixa confuso... "

- De que se trata?

" Para já, uma pergunta:
Tempo e eternidade
São a mesma coisa? "

- Não!...
Dum objecto a outro
O TEMPO PÁRA



















E A ETERNIDADE NÃO...

Ou melhor:
NÃO TEM MOTIVO PARA ISSO!...

" E porquê? "

- PORQUE A ETERNIDADE É IMÓVEL,
E simultâneamente
É EXTERIOR AO HOMEM!...

" Ai de mim...
É imprescindível recorrer ao espírito... "















- EI-LO

Subindo á preia-mar...
Á TERRA-CÉU
Da tua breve alegria...

" Alegria?
Porque será que não a vejo? "

- Por ser transparente.














" Então é isso ser breve... "


- Vai... vai...
Vai nele,
No espírito,
Nessa tua incolor alegria...

" O que é isto que sinto? "

- A par dessa mansidão inconsciente,
A natureza quase se desfigura
Num suave flutuar,














Ante a visão inesperada

No teu interior desse meu sentir.

" E que poderei compreender nessa linguagem? "

- A que te referes?

" AO INTERIOR DESSE TEU SENTIR... "















- Quero dizer que a minha sensibilidade

Não envolve aquilo que penso...

" Não percebi ainda!
Explica-me como se eu fosse muito burro... "

- Pois bem...
Aquilo em que penso
NÃO ESTÁ EM MIM...
Únicamente o que está,
São as palavras:
REPRESENTAÇÕES DAQUILO EM QUE PENSO.



















" O que se passa contigo? "


- Neste momento
Não sei o que pretendo dar-me,
SÓ SEI
Que continuo a ter horror
A todo o significado!...

" E então? "

- Gostaria de poder pensar
Fosse o que fosse
Sem me limitar:
Toda esta curiosidade
Jamais deveria ser interrompida,
Mas o prazer de a saciar
A limita...
Por outro lado,
Também não faz mal!...
O que é necessário
É fugir a determinismos metafísicos...
A essa maldita crença!...
O MEDO...














" Em ti existe o medo? "


- Naturalmente que sim.

" Mas porquê? "

- Porque entendo
Não só pela minha insignificância,
Mas também pela força exterior
Que sei
Ser mais forte que eu.

" Então, inconscientemente
Diriges-te para o medo... "



















- Sim...

Ele é a causa,
O COLOSSO
Que me conduz.

( Uma música:
Emotions wound us so -
- LARRY CARLTON - do album LAST NITE. )



Pain-Killer

Thursday, August 31, 2006

" MÁ LEITURA "















- Olhai!...

" Com quem falas? "

- COM TODOS!...














Vejam aonde vos leva

A maneira como amais o próximo...

" O que interessa
É amar o próximo!... "

- NÃO!...
No próximo estais vós...
O vosso interesse
Não sairá de vós,
E eu pergunto-vos:
Podereis gostar
SEM SER POR VOSSA CAUSA?...
















" Ah... agora percebo!... "


- Não percebes, não!...
Á primeira vista, assim parece,
Mas não é por causa própria
Que se gosta!...

" Será também
Por determinismo exterior? "

- Presta atenção:
Esta simpatia que sinto pelas coisas
NELAS SE ENCONTRA...














( Fotografia de: DANIELA
ROCHA )

Elas se impõem
DO SEU EXTERIOR INTERNO...
Ao mesmo tempo, são dotadas
Duma qualidade influente,
SENSÍVEL
Inspirada quase para mim...

" Aparte disso,
Tudo deve ser dotado
Dum querer afectivo... "














- UNO

UNIVERSAL,
No qual a vontade é única
UMA SÓ,
Enquanto o resto
É EXTERIOR AO EXTERIOR.
Como vês,
Ninguém os culpa










Porque nada poderão fazer contra isso,

A não ser uma leitura atenta
BEM CUIDADA...

" Então, o que irá acontecer? "

- O que irá acontecer?!...
POETA!...
Desde sempre
TUDO É ACONTECIMENTO













E sendo assim, terão que continuar

Uns atrás dos outros
Na tentativa vã
De preencher o mundo de nada...
Na tentativa vã,
IMPELINDO-OS
A acreditar que um dia
Num futuro ainda longínquo,
Poderão encontrar finalmente
Aquela tranquilidade...













" A liberdade absoluta? "

- QUE SE NÃO SENTE
QUE SE NÃO RESPIRA
QUE SE NÃO VÊ,
E que em certa medida

SE PRESSENTE
Para cá da imagem no espelho...
Mas esse desejo, meu caro poeta,
NEM UTÓPICO É!...

" E porque não? "


- Porque a utopia
NÃO DISPENSA NUNCA A ESPERANÇA.
E fica sabendo:
Esse mundo,
É o mundo
ABANDONADO HÁ MUITO PELOS MANEQUINS...













E tudo isto

Será o resultado de má leitura!...

" Agora entendo...
Como alguém disse um dia:
OLHAR É IR AO ENCONTRO DAS COISAS!... "















( Fotografia de: DANIELA ROCHA )

Uma música: PASTORAL HARMONY, do album fantástico:
STORY TELLING de JEAN LUC PONTY.


Um grande bem-haja a todos, e... leiam cuidadosamente... em tudo que vos rodeia... )



















Pain-Killer

Tuesday, August 29, 2006

" A MORADA DO HUMANISMO "
















O poeta, entre outras coisas, gostaria de conhecer uma mulher diferente...
uma mulher que não corresponda a essa rotinice feminina, que não olhe sistematicamente para as montras, nem mais que para os homens!...



















Eu sei... neste instante, onde quer que ela esteja, dirá:
- " Também ele tem que se lhe diga! "

Assim é... mas apesar de tudo, o poeta é mais sóbrio:















- É MENOS HOMEM!...


" Essa sobriedade

Vem da força

Da imposição do machismo? "


- Indirectamente,

Mas para cá disso

Todo o homem

Tem gravado no subconsciente

A IMAGEM DA PRÓPRIA MÃE,

Afagando-o como vítima.




















" Como vítima? "


- Essa imagem

SALVA-LO-Á

Manifestando-se
No seu devido tempo.

E a partir dela
O humanismo

TERÁ SEMPRE AÍ A SUA MORADA.


Pain-Killer