Wednesday, October 11, 2006

" SENTIR ÚNICO... "




















Um dia qualquer, pela marginal fora e paralelamente ao horizonte.

" Diz-me:
Existe alguma maneira particular de sentir? "

- Não!...
O sentir é só um,
Em todos!...
Este sentir
A que me refiro como coisa central,
INSPIRAÇÃO
NÚCLEO



















É coisa sem relação...

Quero dizer:
Corresponde ao todo Universal,
AO TODO SEMPRE DO UNIVERSO.

" Não entendo. "

- Este sentir
É UNIVERSO VIVO
UNO
SUSPENSO













Onde a natureza da aparência

Desse teu sentir em causa,
Não é á partida,
Nem uma coisa nem outra...
Mais tarde, será
SEM SER
O que tu pensas que é,
Na medida em que lhe pões
O que pensas para ele
Como atribuição...



















Ou simplesmente

Por ser aparência do sentir.

" É tudo? "

- Ou porque ainda,
Qualquer simples forma de sentir
Será por ti idealizada
De forma exterior,
INVENTADA
Numa transmissão íntima
Do sentimento humano
Em termos de arte.



















" Achas que a complicação vem daí? "


- Sem dúvida alguma!...
E agora atrever-me-ei no seguinte:
A própria ARTE
Estende-se até á Filosofia...
Os Filósofos não fizeram mais
DO QUE CRIAR REALIDADES.


















Contudo, este Criar

Só poderá ser entendido
Em termos de ARTE.











" É arrojado o que dizes! "


- Esta observação,
É antes de mais
O mistério a ser descoberto
E posto ou identificado
Nesse teu sentir...














Como se vê,
Não é possível surpreender
A Natureza do sentir autêntico...
Ele é ÚNICO EM TODOS.

" Em todos? "

-Sim...
É inconfundível,
Mas difícil de captar.
Por todo o Universo
É realmente único
EM SUA MORADA ÍNTIMA.













" E isso não poderá ser visto

De outro ângulo? "

- O contrário
Não passará de aparência,
Uma vez que não passará também
Do disfarce da realidade pura
Desse teu único sentir.














( Uma música: " UTOPIA " - Eric Gale )


Pain-Killer

Sunday, October 08, 2006

" PLENO DE CONSCIÊNCIA..."




















" É engraçado...

Ás vezes falas como um padre!... "

- Como um padre?!...
Um padre
Não é uma razão filosófica!
Por outras palavras:
Um padre
NÃO É COISA ALGUMA!...



















No pensamento do Homem
SÓ EXISTE O HOMEM,
Muito embora, ele possa ser um padre!...

" Só? "

- O próprio Homem
Se transforma
Em tudo quanto pensa,
Ou pensa vêr e sentir,
Na medida em que ele mesmo
É TUDO PARA SI DELIBERADAMENTE.



















" Mesmo com tudo isso,

Haverá sempre alguém capaz de me dizer:
- Se a coisa é assim,
Para que serve Deus? - "



















- Ao que responderás:

" SERVE!...
Serve para acreditarmos
Em nossa presença,
Mas em sentido indirecto. "

" Para ti
É tudo em sentido indirecto? "

- É SEMPRE DE MANEIRA INDIRECTA
Que a Coisa se passa,
Ou porque
A história da Humanidade
Será sempre a História de Deus
Para acontecer no Homem.











" E eu,

Porque não sou um homem? "

- Serás toda a vida um poeta.

" Uma idéia que fala? "

- Exacto!...
Enquanto que o Homem, aceitará já
De forma inconsciente,
A sua própria existência
No mais longínquo futuro.














" Não compreendo. "


- Não compreendes?
ISTO
É naturalmente uma referência
ÁQUILO QUE NENHUM TEMPO
PODERÁ FAZER PLENO DE CONSCIÊNCIA,
E sua viagem de regresso
Continuará a ser feita
Através da História Humana.
Ele se dirige ao passado
Na tentativa inconsciente de o aperfeiçoar,
E cujo limite jamais atingirá.



















" Ás vezes penso que não és normal!... "


- O que ás vezes penso,
É QUE TUDO ISTO É FEITO
DENTRO DUM SISTEMA IRRACIONAL,
E que toda a cultura
Serve únicamente para analisar
AQUILO
Que anteriormente fôra conseguido,
Sem possibilidade de escolha.














" Não creio que seja assim!... "


Repara:
VÊ-SE QUE CHEGAMOS SEMPRE DEPOIS
DE QUALQUER ACTO!...














E o homem sabe

Sem ter de pensar nisso,
Que mais tarde se encontrará,
VÊR-SE-Á DE FRENTE...
Mas só uma voz
VIRÁ DE LONGE ATÉ ELE...


















" És louco! És louco!...

Que diria um psiquiatra
Se falasse contigo? "















- COMPLEXAVA-SE.


( Uma música: " THIS MASQUERADE "
- David Sanborn )

Boa semana!

Pain-Killer

Wednesday, October 04, 2006

" UMA OUTRA MANHÃ... "














Os mesmos segundos vindos d
e lá de fora, e com ligeiros ruídos de atraso.

- É noite ainda...
Acabo de chegar
Enquanto aguardo
Por detrás dos vidros da janela
O nascer do dia...












" GOSTASTE ? "


- Gostei?...
Gostei de quê?!...

" Era eu quem falava em ti... "

- O nascer do dia?...













" Como te sinto vazio... "

- Nascer...
É melhor não fazer caso.
Isto foi somente
Um momento de fraqueza,
E depois
NÃO DEVO AGIR,
Devo únicamente ficar no limiar da acção.













" Para ti a acção

É bem capaz de ser outra coisa! "

- Não passa dum pretexto da vontade.

" Porque não queres agir? "

- Não quero que a situação se altere!...

" Convém esperar que a manhã
Venha para esta solidão
E te fale? "














- Lá está o poeta,

Lá está ele...

" Não faz mal,
Esperarás... "

- Esperar?...
É isso!...
ESPERAR É TER ENSEJO...
Vais vêr...
Esta manhã
Me trará o imprevisto
Em sua imagem de luz e transcendência.


















" Ainda está escuro? "


- Um pouco...
É um escuro ténue
SILENCIOSO...

" Triste? "













- Sim.


" A tristeza

Sou eu quem lha empresto... "

- Dispenso-a!...

A rua está ainda iluminada, ausente,
Numa aparência morna...














" Que ruído é esse? "


- É o som compassado de alguém,
Seguindo mecânicamente o seu trajecto...
As linhas traçadas no espaço,
Manifestam uma geometria repetitiva.

" É um som isolado,
Tépido,
Como se fosse proveniente
Dessa janela entreaberta... "

- SE INSISTIRES SERÁ OUTRA COISA!...

" Outra coisa, como? "

- Escuta...
O som aproxima-se...



















" Perder-se-á ao dobrar a esquina? "


- Isso é o que vulgarmente se pensa!
Esse som
Limitar-se-á a parar em qualquer lado...
A inércia
Obriga-lo-á a isso.

" É quase dia... "

- É quase impensado...

" Inseguro? "

- Por não ser convenientemente pensado.

" Meigo
Lento,
O dia vai surgindo... "










- Distante ainda...


" Como ELA...
O que estará Ela a fazer?... "

- Está sentada
Dentro de si mesma,
NA SUA DÔR,
NA SUA ANGÚSTIA,
Sofrendo com todos
OS SINAIS DE INQUIETAÇÃO.















" Ó DEUS! Esta manhã sufoca-me...

COINCIDE COMIGO...
Estou farto de pensar!... "

-Não fiques assim!...
Esse teu sentimento
Nada tem que vêr com a manhã,
Resulta apenas da sua ausência...
E tanto de manhã como á noite,
Não haverá mais
Do que arrependimento...



















Vem!...

É melhor sairmos daqui.

( Uma música: " EVER AFTER "
Bob James/Keiko Matsui- piano a 4 mãos )

Pain-Killer

Tuesday, October 03, 2006

" MORTE OCULTA "














É engraçado... tenho quase a certeza de que o poeta não pode vêr-me. Não que eu seja invisível, mas quem parece sê-lo, é ele, dada a maneira como de vez em
quando me foge. Do local aonde estou, vejo um homem com o Homem dentro de si, e ao mesmo tempo, sei que não posso olhar a morte de frente, porque estou dentro dela...


" Dentro da morte!? "

- Sim...
A morte é uma idéia
Que por vezes me envolve por completo...











Ele sentia que era necessário confiar na generosidade oculta, ou no silêncio do sangue.
Havia nisto, qualquer coisa como transmissão de pensamento, a gerar-me uma ligeira desconfiança.

" Será a morte
Quem te segreda tudo isso? "

- A morte!?...
A morte
É UMA IDÉIA QUE SE TEM,
Que nos corre no sangue...


















Ela nos apressa,
EU ME INVENTO
ME ENCHO
E ME ESCOLHO NELA...



















" Não serás tu

Outro tipo de poeta? "

- Cala-te e ouve!...
E porque paralelamente
Todo o homem
É O LADO NEGATIVO DE DEUS...
O LADO QUE AJUSTA
TODO O SEU ABSOLUTO.
É pena...
O Homem pensa que descobriu
Aonde pôe os pés,
MAS DESCOBRIR
É APENAS DESCONFIAR...


Pouco depois, afastei-me desinteressado... e enquanto o fazia, cada vez se tornava mais próxima a semelhança que ia tendo comigo. Era de facto, qualquer coisa sobressaindo naquele banco: Qualquer coisa a deixar-me recordar a idéia que neste preciso momento tenho da minha própria figura.














( Um albúm: " KOLN CONCERT "- Keith Jarret )


Pain-Killer

Wednesday, September 27, 2006

" PALAVRAS INJUSTIFICÁVEIS "













Pensar

No que se há-de pensar,
É tencionar a arte de pensar...
Ou tentar prosseguir
No que se oculta em nós.

E se dizem
Que não temos o direito
De mentir
Numa verdade imposta
A qualquer um,
Terei então de mentir
Ao pretender a verdade
Em cada um de nós.

IMAGINAR-ME...
Caminhar, pairando
Nesta angústia suprema
De movimento contínuo...

Ai...
MALDITO PENSAMENTO.
MALDITO JOGO DE PALAVRAS
INJUSTIFICÁVEIS...
Maldito...
Mas BENDITO seja
NA HORA INCONSCIENTE
Que vier.

Dôr... dôr...
Ó grande solução...
Ó maior das maiores
Que não resolves nada...

IMAGINAR-ME
Eu?...
Ai como detesto vêr-me
E seguir
Não sei aonde...

Se o fizer...
É porque tenho horror
De saber-me preso
E impreciso
Cá dentro de mim.

Mas se o não faço...
É porque sei,
Que nunca posso ser
AQUELE QUE CAMINHA
AONDE LHE APETECE.

( Uma música: " OLD LOVE " - Eric Clapton )

Pain-Killer

Monday, September 18, 2006

" SWEET EIGHTEEN "




















O amor, na realidade, tem um significado polivalente, tão dificil de definir que já houve quem dissesse que o amor é aquilo que se sente quando se ama...


Mas se perguntássemos o que se sente quando se ama...
Só seria possível responder simplesmente:

" AMOR "

FELIZ ANIVERSÁRIO
, meu amado sobrinho!


Desejo-te uma vida de sucesso em tudo o que empreenderes...


Um abraço forte e carinhoso, deste teu tio intempestivo e exigente, mas que te ama como ninguém...


TENHO ORGULHO EM TI, FREDY...

és o meu pequeno (grande) GÉNIO ;-)

Estarei aqui, sempre que precisares, Great kid...

Miguel

Sunday, September 17, 2006

REFLECTINDO...
PELA NOITE DENTRO.





















O desencontro foi total...

A coincidência em nada pôde surgir.

" Quem somos? "

- ISSO
NUNCA O SABEREMOS!...













Quando muito,
Saberemos somente
O QUE PENSAMOS A NOSSO RESPEITO.

" Apesar disso,
Continuamos a pensar... "




















- Tornou-se NUM HÁBITO!...
E depois?
Também não é assim por acaso
Que penso no que penso...

" Então é como? "

- A RAZÃO
É esta VOZ INTERIOR
No teu lamento... nesta censura,
Nesta revolta,
Nesta incidência íntima,



















Neste íntimo aviso de vigília

Que em todos explode.

" E que voz é essa? "

- A DO MEU HIPPIE!













Ele me fala,
Mas como a maior parte das vezes
Me encontro virado para fora,
Nem sempre o ouço.

" Como é ele? "

- Verdadeiramente não sei...
Só sei que sente desejos
Em se deixar pendurado
De braços para baixo,
Como uma camisa balouçando ao vento...













Por aqui,

É fácil reconhecer o Homem
No seu retrato histórico,
HUMILHADO
Por uma eterna memória...














" Achas que sim? "


- Claro!...
É MAIS QUE CERTO!...
SÓ HÁ UM HOMEM Á FACE DA TERRA
Assistindo continuamente ao seu espectáculo...



















E presta atenção:

Aquilo que ficou por realizar,
DEVERIA FAZER PARTE DUMA OUTRA HISTÓRIA...














Resta saber,

Se cada um de nós
Respeita suficientemente o seu Hippie
Para poder reflectir
Sobre ambas as situações.



















Uma música: " CRYING HANDS "

( Larry Carlton )

Pain-Killer