
Este gosto, estas rajadas de dentro,
Não são nostalgias do paraíso perdido
Nem inclinações idílicas, bucólicas,
Mas sim persistente desejo de origem
No feroz tumulto da criação,
Começo e final nupciais,
Mais fundo ou mais além do imediato.

Conheço-me, sou do quarto reino,
Levo os três outros dentro,
Sei quando o aguaceiro não dá trégua
Quando estou só e contemplo o mar,
Quando as árvores me olham ondulando...
Meu destino é sair de meu reino,
Até onde ninguém saiba
E até onde tudo É.

A desaparecida casa ressurge inteira,
Em qualquer parte da recordação...
Olho com inveja sua copa,
Penso no milagre de renascer
Depois de cruzar a extinção.
Em algum momento sairá de ti o outro,
Afastar-se-á olhando o horizonte...

A fumaça, os incêndios nas nuvens,
Os tumultos, os foguetes disparados até á noite espacial,
Até ás galáxias,
Sorteando buracos negros,
Guiado por a tua espera...
Até onde ninguém sabe como,
Já fora do Ser...fora do Nada...!

FELIZ ANO NOVO...FELIZ RENASCER!
Pain-Killer