QUASE...
OU A MÍNIMA DISTÂNCIA
ENTRE DUAS COISAS
QUE JAMAIS SE ENCONTRARÃO.
No caminho para casa, e além de toda esta gente que passou por mim; um padre cruzou-se comigo: dois caminhos?, dois trajectos diferentes num sentido único. O que ficou para trás?... não interessa!
Quase toda aquela gente conheço de vista... é certo que poderão dizer o mesmo de mim, ou seja: conhecerem-me superficialmente.
" Como é um homem? "
- ESTRANHO...
" Para não ser como ele,
O que é preciso ter? "
- MAIS DO QUE PRESENÇA
E sobretudo,
NÃO ESTAR AUSENTE.
E muito menos ser substituído
Por qualquer situação escusada.
" Não estar ausente? "
- Pensando bem,
Tudo é QUASE ausência
INCLUINDO O MUNDO...
" Tudo? "
- QUASE TUDO!
" Fala-me do mundo... "
- Do mundo?
Penso que
ANTES DE SER TRISTE

A Coisa talvez fosse isolada...
" Ou aparentemente isolada? "
- QUASE AUSENTE...
" Ausência... "
- É QUASE TUDO AUSÊNCIA.
" E antes de ser
Para tudo ser? "
- Para?!...
Poeta!...
AS COISAS NUNCA FORAM
AO SEREM O QUE SÃO...
Por isso, exactamente,
Nem sombra nem luz.
" Eu referia-me a antes de tudo! "
Aqui, numa perspectiva filosófica, pouco própria da poesia, o poeta tenta dirigir o seu raciocínio para o Infinito... porque ele sim, está antes de tudo, até mesmo antes... de antes. Por outras palavras: o nada quase absoluto, no não estar da ausência... e digo, quase; porque se o nada fosse absoluto, nada poderia existir!... Ainda nesta perspectiva: a ausência é quase o nada, aonde o nada é quase paralelo ao Universal, num quase absoluto da matéria. Porém, na perspectiva generalizada da consciência humana, a tendência é para elevar esta questão a um plano sobrenatural, metafísico, ou outro no género e quase sempre invocando a Cabala como única explicação do Inexplicável...
Em suma: a Coisa está longe de si própria.
" Não compreendo...
Será tudo quase? "
- QUASE TUDO!...
Repara bem:
Para cá do ser,
O SER DA SOMBRA E DA LUZ...
" No lugar da ausência? "
- Sim...
E finalmente no Homem
Intervalado em sua percepção,
Enquanto ele se distingue
COBERTO DE LUZ
PARA CÁ DA AUSÊNCIA...
( Foto de: Daniela Rocha )
" Mas afinal, o que é o quase? "
- É A MÍNIMA DISTÂNCIA
ENTRE DUAS COISAS
QUE JAMAIS SE ENCONTRARÃO.
Apesar da simples e óbvia definição; o poeta mantém-se céptico, confuso, algo reticente... talvez por saber - dentro do seu lirismo enjoativo e racionalidade conveniente - que é possível que duas outras coisas em idênticas circunstâncias, acabem finalmente por se encontrar. Mas por outro lado, será porque aí mesmo, esse quase; nunca terá existido: porque quase será sempre quase e nunca passará daí. Tal como o nunca, que será sempre nunca... ou porque as palavras só poderão ser exactas, quando os valores que elas representam forem eternos.
" Disseste que o Homem
Se cobria de luz no lugar da ausência...
O que quiseste dizer com isso? "
- É SIMPLES!...
Antecipando uma série de situações,
Isso quererá dizer ainda:
Quando feliz,
Terá na sua dor
A sua alegria
Como ausência de dor.
" E eu,
Porque sou triste? "
- Porque a bondade
Tem as suas consequências.
( Um tema: " YESTERDAY 'S DREAMS " -
- Freddie Hubbard )
Bom-fim-semana!
Pain-Killer