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AZUL
" Viagem ao Quotidiano "
Miguel Baganha, téc. mista s/ tela | 2008
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Há muito que se sabe que cores e sentimentos não se combinam de forma acidental. A cor é muito mais que um fenómeno óptico e que um meio técnico. O azul é a cor de todas as boas qualidades em que se acreditam ao longo do tempo, de todos os bons sentimentos que não estão dominados pela paixão, mas antes pela compaixão recíproca.
Vários Artistas têm utilizado o azul como a sua cor de expressão, com possibilidades ilimitadas, como por exemplo: Franz Marc, W. Kandinsky, A. Rubin, G. Munter, H. Matisse, Yves Klein e outros.
" Azul - A cor preferida: a cor da simpatia, da harmonia, da amizade, da confiança e das virtudes espirituais. "
EXPOSIÇÃO COLECTIVA DE
PINTURA E GRÁFICA ORIGINAL
Inauguração: dia 15 de Maio às 19:00
na Galeria Prova de Artista

Mário Rita

Vargas
" Aparências "
Miguel Baganha, téc. mista s/ tela | 2008

Rua Tomás Ribeiro, 115 Loja 1
1050 - 228 Lisboa
Telef.: 21 319 95 51
Móvel: 91 788 59 91
e-mail: provartista@gmail.com
Segunda a Sexta: 10:30 - 20:00
Sábado: 15:00 - 20:00
UM MOMENTO NO TEMPO
A noite aproxima-se, torna-se mais noite, sendo cada vez mais ela própria. Enquanto estas pequenas coisas em cima da mesa, dão-me a sensação de dormirem em seus espaços aparentemente insignificantes. Neste momento têm uma linguagem adequada, superficial que não a minha... como eu gostaria de a poder captar...
Através deste raciocínio, deduzo que quando olho para determinada coisa pela primeira vez, normalmente admito não a conhecer. No entanto, talvez esteja errado.
Boa semana!
( Um tema: " STOLEN MOMENTS " -
- Kenny Burrell )
Pain-Killer
UMA NOITE PRETENSIOSA

Era uma noite aparentemente normal, o ambiente estava fresco, suave... somente uma única e pequena diferença a separava da normalidade: uma claridade móvel e debilitada simulava debruçar-se sobre a sua impenetrabilidade, deixando-me a sensação de que com um pouco mais de luz, talvez pudesse tornar-se no próprio dia. Mas não, porque a luz que a noite incondicionalmente recebe, não passará nunca de sua ausência...
Assim é tudo, como se viesse para ficar em profundo esquecimento.Bom-fim-semana!( Um tema: " EARLY AUTUMN " -- Versão de: Stan Getz )Pain-Killer
O POSSÍVEL IRREAL

Esta tarde foi atravessada pelo meu próprio tempo de forma horizontal. Reconheço que passei um dia simples, com a excepção seguinte: inconformado, talvez consigo mesmo, o poeta sentenciou: " um dia qualquer... amanhã, hei-de escrever um poema justificando a minha insistência! "
Pobre poeta... deixar para amanhã, é reconhecer inconscientemente que já é tarde.
" Acho-te graça... "
- Sim?...
" Acreditas na idade da razão? "

- Hoje posso dizer que sim,Mas tu não precisas disso!
Entrega-te às manhãs,À luz do dia...Diariamente nascerás.

" Achas que consigo? "
- Claro!
" E então, como é? "- É só deixares
Que a ausência te gereDurante o tempo do sono...
Mais tardePartirás no ventre do nada.
" É belo o que dizes... "- Intencionalmente
Respondo-te-me:
Esta manhã, abriu-se-te-me!...
" Sem se dar? "
- Sim...
Tal como uma florQue se abre para o tempo
Sem precisar de ser flor.

" Estás fora de ti
Mas gosto de te ouvir! "
- Neste deslumbramento,
Avalio A insuficiência que és para mim... 
" Eu?! "
- Sim, tu!...
Por isso tu sonhas.
" Nos meus sonhos,
Vives como num grande lago... "
- Eu sei...
" O lago é o sonho... "

- A casa...
" O ambiente... "

- O possível irreal.
" E o sonho? "- É cá dentro,
Indirectamente comigo,
Com aquele que pensa que sou eu. 
" E esse, quem é? "
- Esse...
É tudo aquilo
Que é contrário
À minha tendência.
Boa semana!
( Dois temas: " AUTUMN IN N.Y./ EMBRACEABLE YOU "
- Versão de: Chet Baker & Stan Getz )
Pain-Killer
A FIBRA DA DÚVIDA

Neste preciso instante, o silêncio torna-se cada vez mais próximo, sem ser preciso recorrer a ele. Outras vezes, julgo que se afasta depois de me ter envolvido, sem eu ter dado por isso... enfim, continua a ser impossível que tal pudesse acontecer.
" Em que pensas? "
- Gostaria de saberO que é pensar!

" Pensar?...
Penso que esses caminhos Vão dar a Deus... "
- Talvez...
No entanto, há quem diga
Que todos os caminhos vão dar a Deus.

" É verdade... mas diz-me:
Um poeta, se não crê em DeusDeixa de ser poeta? "- Essa pergunta
Contém várias implicaçõesQue não afectam o teu caso em coisa alguma.
Contudo, isso não é razão para deixares de o ser.
E depois, o que te aflige?
Não crês em Deus?...

" Umas vezes sim,
Outras vezes não. "
- É fácil de ver:
Só terás certezaSe a fé for isolada.
" Mas se isolar a fé,
Ficarei para sempre na dúvida. "
- Se ao menos Tivesses uma razão filosóficaCapaz...
" Capaz de quê? "
- De eliminar toda a dúvida!

" E tu, tens? "
- Não.
E além do mais, não quero!
" Porquê!?... "
- Porque
A sombra da dúvida
Prevalece
Sobre a luz da fé.
E neste momento é ela que me move!

Boa semana!
( Um tema: " BODAS DE PRATA "-
- C. Haden, J. Garbarek e E. Gismonti )
Pain-Killer
NUM BANCO DE JARDIM
ÁS ÚLTIMAS HORAS
DUMA MANHÃ DE OUTONO
Tal qual, sem coisa alguma! É simplesmente um banco na cor da madeira. E o resto?, o resto são flores pequenas, desabrochando para cá do tempo.
" De onde vens? "- Do café.
" Que viste em especial? "
- A ventoinha amarela.

" Conta-me... "- A ventoinha amarelaNo rectângulo do tecto,
Estava simbolicamente parada.Havia em si a imagem dum leve fascínio...Só o desconhecido me poderia atrair.
" E então? "
- Teria de haver movimento
Na ventoinha parada.
" Como é isso possível? "
- O inanimado vive!...

" E como? "
- Tem a sua maneira de existir.
" E depois? "- A ventoinha era à circunferência...
" Não compreendo! "
Aqui, refiro-me à circunferência habitual que logicamente lhe corresponderia caso estivesse em movimento. Essa circunferência estava ausente em todas as pessoas, somente existindo em mim por mera arte.

" Por mera arte!? "
- Sim... numa tendência simbólica.Em dada altura, a arte preenchia um vazio
E eu aguardava...
Por isto, associo e reconheço,
Que dizer-se em termos de arte:« Passamos da imagem ao símbolo »É desconhecer que a imagem no seu aspecto primário
É a forma natural do próprio símbolo.
" E quanto à ventoinha,
O que ela tinha de especial? "

A pergunta do poeta denota uma certa pertinência, o que é compreensível, porque naquele momento a ventoinha era algo mais. Havia nela uma trágica semelhança com um relógio vulgar, suspenso, sobre a indiferença enjoativa das pessoas.
- Quanto à ventoinha,Houve uma altura em que fechei os olhos:
A ventoinha surgiu-me em movimento
E a minha vontade hesitou um pouco ao vê-la circular...
" E circulou mesmo?... "- Qualquer um diria que não,
Mas a ideia da forma
Era a forma da ideia em movimento.

Por outro prisma, isto não era mais do que cair em abstracção e pensa-la como abstracção... na verdade, a ventoinha era um pretexto para descer até ao inconsciente e desta feita, ler cuidadosamente a sua mensagem. Atento e regista-la, era essa a minha intenção. Só assim poderia tornar subjectiva toda a verdade conveniente, para que a subjectividade fosse por fim objectiva.
" Foi preciso isso tudoPara chegares ao inconsciente? "
- Não houve propósito da minha parte,
Nada faço por minha livre vontade.
" Nada mesmo? "
- Nunca intervenho naquilo que consideras
As « minhas intenções »...
" E o relógio?... "

- O relógio?Talvez o relógio fosse a circunferência
Vista de outro ângulo...
" Não percebo!
E o empregado?... "
- Esse,
Trazia em todo o seu corpo
A ventoinha, o amarelo à cor,
O rectângulo ao próprio tecto,
De cima a baixo.

" E a circunferência? "
- Lá estava...
Repetida em cada olho que me via,
Foi isso que encontrei.
" Só?... "- Restou saber
O que estava implicado naquilo que encontrei.
Boa semana!
( Um tema: " CHAN' S SONG "- Michael Brecker )
Pain-Killer