Saturday, February 16, 2008

FASCINADO PELA RAZÃO
DA MINHA EXISTÊNCIA
















Estou com uma sensação es
tranha... sinto-me despido, uma nudez absoluta invade-me, penetrando até ao fundo do meu ser... é o meu quarto, que me espreita por todos os lados. De súbito, para cá e por debaixo da porta, um sussurrar de vozes conhecidas chega até mim... essas vozes não coincidem, conversam entre elas sem sentido algum. São meras palavras perdidas no tempo, onde o som aguarda sozinho numa infinita espera, resvalando indiferentemente pelas paredes brancas do quarto ao lado. Ele aguarda em vão, e nada irá conseguir porque não tem motivos sequer para falhar.E isso faz-me lembrar o outro que espera interminavelmente por Godot.














Quatro quadrados ligeiramente claros estão ocultos debaixo dos pés desta mesa, para o confirmar não precisarei de
a mover. Assim como o poeta, que parece estar ausente, ou simplesmente silencioso, ocultando a sua existência... talvez à espera duma oportunidade para intervir... mas não... não pode ser, porque neste silêncio nada é espera.














ABSOLUTAMENTE NADA!

Procuro pela mosca, a tal que me a
companha nestas ocasiões de ordem reflexiva. Imediatamente os meus sentidos captam a existência dum zumbido e movimento familiares, e então concentro o meu olhar sobre essa presença esvoaçante que se fixa sobre a superfície branca da mesa.















Olho bem para ela...
Aquela mesa rectangular
Onde escrevo,

Tem os meus chinelos
Debaixo de si mesma.

Estou a ver-me nela,
E os meus pés
Doem-me nos pés.
Estão gelados...
Enquanto o meu quarto
Continua a espiar-me.


E eu, exactamente como ontem
Sinto-me de novo na existência.















É bom saber isso...

De qualquer maneira, não é o estar vivo que me atrai... o que realmente me atrai e me fascina, é saber a razão que me levou de novo à existênci
a.














" Essa razão é uma coisa

Naturalíssima. "














- Ah!...
Afinal, estiveste sempre aí, poeta.

NAKURANDZA YINTAMO, DANISHE!















( Um tema: " SHE IS SO BEAUTIFUL " -

- Waterboys )


Boa semana!


Pain-Killer

Tuesday, January 22, 2008

NA TAL TARDE
DO ANO SEGUINTE





















Qualquer coisa como o tempo, decorre sem pressa, enquanto que no rosto das pessoas a tarde diminui cada vez mais.

- Poeta!
Porque estás calado há tanto tempo?...

" Tenho estado a pensar... "

- Em quê?!

" Dizem que o mundo é um palco
Onde se representa a vida!... "














- É uma bela metáfora, poeta...
No entanto,
Representar ou não, pouco adianta:
O Ser-Humano se fosse autêntico,
Não necessitaria de representar!
Seria igual a si próprio:
ÚNICO!...




















É claro que isto
Não passará nunca duma utopia.

" Fala-me de um lugar
Aonde nunca estaremos. "

- NÃO TENHO FALADO
DE OUTRA COISA!














" Mas podes falar-me de algures

Em especial?... "

- Como quem conta uma história?

" Pode ser... "

- Algures...
Nesse teu futuro,
Uma moeda completamente gelada
Habita ainda

NO FUNDO DO POÇO














Ocupando o lugar da razão,
Apesar disso ninguém desconfia...

" De quê? "

-Não interessa...
Tentemos imaginar como é
A CONSCIÊNCIA HUMANA.














" Não sei se consigo... "

- O que é mais fácil reluz sem aparência!
IMAGINA-A AGORA:














" Sim...
Consigo vê-la...
Ali! "

- « Ver é compreender »...
No ent
anto, no teu caso, penso que algo ficou para trás: - Alguns segundos - ; dirão as pessoas...
É provável que tenhas i
maginado a sua forma visual e inerte, mas será isso suficiente para compreenderes a sua acção?!

" O que não compreendo
É essa dialéctica... "


- É a dialéctica dos elementos
ESTÁTICO-DINÂMICOS!



















( Pintura digital de: Rocha de Sousa )

" Fala-me concretamente... "

- Concretamente, falo do « Homem-Estático-de-Falsa-Dinâmica » que não usa a sua « própria gravata », traz sempre a gravata do outro igual à do outro.
Ele mantém uma atitude de falsa-dinâmica, estagnada e submissa, ás vezes chegando a ser duma hipocrisia obscena, e no entanto diz-se inconformado com tudo o que lhe é imposto. Enfim, um extremo paradoxal que vê os seus lamentos como a forma mais expressiva de se manifestar.
Mas não me parece que
FALAR COM UMA PAREDE













Fará a coisa mudar...


" Existe outra solução? "


- Penso que sim...
O Homem terá que pensar por si mesmo, e para isso: cada um de nós terá de sair dos seus actos, dos seus próprios hábitos: dinamizando-se individualmente...
Mas também há aqui uma certa
INDEPENDÊNCIA MECANIZADA














funcionando num circuito redundante, mas muito específico...
Assim como uma espécie de vai-vem...


" Como uma porta de salão
Dos westerns antigos?... "

- Ou coisa parecida.

" É igual em todo o lado? "

- Não podia deixar de ser.
É uma sociedade com os seus direitos apropriados...
Uns são simples, e vivem

ENCADEADOS














Numa linguagem lírica e
acessível que todos entendem.
Outros são cultos e entendem-se vaidosamente por palavras pomposas, mas haverá sempre neles uma expressão simpática usada por conveniência .

" Para não dizeres por hábito? "













- Ou isso!...


" Enquanto falam
Distorcem as suas intenções... "













- Pior ainda, é vê-los cobardemente envergonhados

Da pureza oculta, mas debaixo de cada gesto está a denúncia:
O elemento abstracto inconsciente, que conduz à farsa.

" De que lado estão os autênticos? "

- SÃO TODOS IGUAIS!...



















" Semelhantes? "

- GÉMEOS ENTRE SI














Sem qualquer distância
Na incapacidade indolente dos anseios...

E não sabem:
" Que o Homem é capaz
De ser

O que pudera ser capaz.

Ou capaz

De ser

Gesto de provir
A partir do instinto animal. "















E por enquanto não poderá ter outra escolha...
Por não ser ainda verdadeiro nos seus sonhos.

" Pensando bem:
É quase um mito;
Uma classificação! "

- Sim... mas para cá do mais,
É extremamente necessário
Saber-se o que é aquilo
A que chamamos Homem...

" Mas o Homem não é
Aquilo que sabemos dele? "


- Não...
Aquilo que sabemos dele,

SÃO ATRIBUTOS



















QUALIDADES



















Dessa tal coisa a que chamamos Homem,
E que eu teimo em saber o que é...
Contudo, ele é ainda
o que não terá de ser.

" De ser!? "

- DE SER



















Na realidade longínqu
a icognoscível,
Procurada dentro de si.
Isto significa que, em qualquer dos casos:
É apenas mais um nome torneando a verdade.
Um nome sem essência, por enquanto...

" O Homem
É realmente estranho... "

- Pressinto que essa coisa
É cada vez mais estranha na medida em que se
aperfeiçoa.

" O que será o Homem? "


- O Homem
Não é ainda
O HOMEM.




















Ele é precisamente a abstracção

Daquilo que não é um homem...
Seria melhor se estivesse mais
PARA CÁ DE SI!



















" Mesmo assim é um milagre! "

- Assim parece, poeta... mas saber-se que pensa, e que a maravilha está no seu prodigioso englobante, não é ainda o verdadeiro milagre:
O milagre, está muito para cá da

CONCEPÇÃO HUMANA.



















Ele está
, não em saber como o pensamento acontece mas justamente em saber que se encontra no lugar do acaso da causa, e que possivelmente será a causa
Para o absoluto de si próprio.
Senão repara: Se me disserem que pensam, não poderei deixar de perguntar: como foi possível o pensamento?, e mais ainda:
O QUE É PENSAR?
Sim...
se me disserem que pensam por isto ou por aquilo, farei de novo a mesma pergunta...
, que dizes tu a isto?...

" Eu?
- PENSO QUE PENSO -
O que o Homem pensa.

E se penso,

É por querer comunicar
Contigo mesmo,
E simultâneamente

Não quero ficar só
... "







- É bonito!...

Mas aqui,
Mais não fizeste do que dar
Um colorido filosófico à tua poesia...


" Poesia!?
A propósito:
O que pensas acerca dela? "

- O que penso?, já te disse uma vez:
Acho que a poesia
Está fixa numa paisagem irreal.

Ou seja: parece ser
AQUILO QUE NÃO É!...














" Vamos pôr as cartas na mesa! "


- Isso não vai alterar a minha posição, mas o que tiveres a dizer diz!...

" Tu precisas da minha presença!... "

- Confesso que sim...
Mas há uma coisa que
tem de ficar bem clara: cada qual na sua natureza...
Teremos que obedecer a isso!...

" Separados? "














- Dificilmente seremos um só!...

" Foi sempre o que quiseste? "

- Não!...

" E quanto ao Homem? "

- Quanto a ele, dir-te-ei:
Se isso a que chamam Homem, quiser descer ao
FUNDO DO UNIVERSO














( Foto de: Rocha de Sousa )

Terá de ser o menos lírico possível...
Terá de continuar neste jogo murmurando para si:

" Se tenho consciência deste eu,
Compreenderei

Que se trata de um eu

A ter consciência de outro... "

Só assim a minha consciência mesmo determinada se manifestará, obrigando-me a concluir que ela ou qualquer outra coisa mais, nunca poderia decidir por si mesma.

" Mas apesar disso
Não deixará de perguntar:
QUEM SOU? "



















- Estás certo...
E isso significa que estás atento.


( Um tema: " AIR FOR G-STRING- J.S.BACH " -
- Modern Jazz Quartet & Swingle Singers )

Boa semana!

Pain-Killer

Monday, December 03, 2007

NA DIRECÇÃO DO MEDO













" Para onde vais?... "

- Não sei...
Sigo apenas na espiral,

Desprezando o conformismo...

NADA DE PARAR!...


















" O idêntico e o inseparável
Não se adaptam à tua consciê
ncia? "

- Não!...
Por suspeitar que a minha luz

SÓ SE APAGA UMA ÚNICA VEZ!...













Por isso mesmo ainda,
ODEIO
A NOÇÃO DE ETERNIDADE













Pela simples razão

De qualquer tipo de limite

Estar infalivelmente ao meu alcance.


" O que é para ti a eternidade? "

- O que é?...

" Será realmente

- A IMAGEM MÓVEL DO TEMPO - ? "













- Aí está uma frase
Extraordinariamente bela,
Mas essencialmente poética!...

Meu caro:

Só na matéria existe movimento,

E para cá disso

Não há
Qualquer tipo de imagem no tempo.


" Mas trata-se da

IMAGEM DO TEMPO! "












- Qual imagem!?...

O tempo

É inexpressivo.
NÃO TEM APARÊNCIA.













" Nenhum objecto é imóvel?
"

Só a eternidade o poderá ser...
Essa ausência total

Que é como uma autêntica janela,
FECHADA PARA A HUMANIDADE!...












" No que acabo de ouvir
Algo me deixa confuso... "


- De que se trata?

" Tempo e eternidade
São a mesma coisa? "


- Evidentemente que não!...
Dum objecto a outro

O TEMPO PÁRA

E A ETERNIDADE NÃO...













Ou melhor:
NÃO TEM MOTIVO PARA ISSO!...











" E porquê?... "

Porque a eternidade é imóvel
E simultâneamente

É EXTERIOR AO HOMEM!...















" Ai de mim...

É imprescindivel recorrer ao espírito... "


- EI-LO













Subindo à preia-mar...

À terra-céu

Da tua breve alegria...


" Breve alegria?...
Porque tem que ser breve?..."


- Porque o tempo assim o quer.

" Não gosto do tempo... "


- Vai... vai...

Vai nele,

No espírito,

Nessa tua incolor alegria...













" O que é isto que sinto? "


- A par dessa mansidão inconsciente,
A natureza quase se desfigura

Num suave flutuar

Ante a visão inesperada

No interior desse meu sentir.














" E que poderei compreender
Nessa linguagem? "


- A que te referes?

" AO INTERIOR DESSE TEU SENTIR... "

- Quero dizer,
Que a minha sensibilidade

Não envolve aquilo que penso.
Aquilo que eu penso

NÃO ESTÁ EM MIM...













Unicamente o que está,
São as palavras:

REPRESENTAÇÕES

DAQUILO EM QUE PENSO.














" O que se passa contigo? "


- Neste momento

Não sei o que pretendo dar-me...
SÓ SEI












Que continuo a ter horror
A todo o significado!...


" E então? "

- Gostava de poder pensar
Fosse o que fosse

Sem me limitar.















Toda esta curiosidade
Jamais devia ser interrompida,

Mas o prazer de a saciar

A limita...















Por outro lado,

Também não faz mal!...

O que é necessário

É fugir a determinismos metafísicos...

A essa maldita crença!...

O MEDO...















" Em ti existe o medo? "


- Naturalmente que sim.


" Mas porquê? "


- Porque entendo
Não só pela minha insignificância,

Mas também pela força exterior

Que sei
Ser mais forte que eu.


" Então, inconscientemente

Diriges-te para o medo... "


- Sim...















Ele é a causa,

O COLOSSO

Que me conduz.


( Um tema: " SIMPLE THOUGHTS "-

- Kenny Barron/Mino Cinelu )


Boa semana!


Pain-Killer