Inauguração: 21 de Janeiro de 2010
CASUAL LOUNGE CAFFÉ, pelas 19:00
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MEIOS E MODOS NA ABERTURA ARTÍSTICA
Como no caso da presente exposição, ao mesmo tempo experimental e consagrada pelas descobertas que propõe. Nem a pintura ignora matrizes texturais de raíz fotográfica, nem a fotografia o é só por si, autónoma e institucional, pois se enlaça na pintura de cunho geométrico e construtivista, convocando outros tempos de imagem para a sua forma em cada, misturando elementos e memórias urbanas, relacionando o fantástico com o sonho, além da dinâmica deste, no modo de formar em cinema, entre o imensurável, o murmurar da brisa e a dinâmica da consciência humana.
Miguel Baganha, corroborando as belíssimas foto-pictóricas de Daniela Rocha, envereda pelos caminhos
Daniela Rocha, com bases fotográficas fragmentárias, ultrapassa o mero domínio da representação sequenciando parte e movimentos de um todo pressentido, por vezes acordado, quase sempre entrosado por cortes ou ligações que reabrem o sentido das coisas e do mundo que elas lembram. O close-up sobre os olhos de uma boneca, ao mesmo tempo mortos e vivos, sonham assim o que atravessa a nossa consciência, a nossa mente, um imaginário feito de diluídos sobressaltos, um vento nas àrvores, uma referência breve (acantonada em baixo) à representação clássica, embora já tocada pelo efeito do sonho e do fantástico. " A Queda", série baseada em módulos cúbicos, atapetados de fungos ou pequenos fós
seis do princípio dos tempos, propõe o decurso de minutos ou séculos pelo desprendimento cadenciado das peças. Este projecto, e este tipo de objectos, refaz-se porventura com maior saber, em "Corpo e Sonho", em "Olhos na Tempestade". Mas o avanço de Daniela no campo exemplificado torna-se, de cada vez e rapidamente, mais profundo: "Memória Encoberta" confronta-nos com rêctangulos alinhados e integrantes de imagens que se intemporalizam, sombras e muros de colonizações sem nome, a mulher reinventada dos anos 30 ou a estátua grega assim trajando, além de um olhar, animal ou humano, que vem a seguir e do qual se desprende a e
xtrema melancolia diante dos genocídios contemporâneos. E a própria face de "Criança e Mantos" nos fala do mesmo destino, a máscara da inocência entre muitos frames das rendas com que sonhamos, mantos de terra, o holocausto sempre, passagens estreitas, a carta que encerra parte das nossas catástrofes e nos faz pressentir uma lágrima na face impensável, lágrima seca, tudo a presumir um futuro álbum de família, páginas e páginas passadas, quando a ressonância dos ecos houver terminado.





















