Wednesday, July 19, 2006

UMA CERTA MANHÃ
AO ENTRAR PARA UM METRO...
















Todas as pessoas mudam de expressão quando o metro chega.














" Gostas de mulheres? "


- Vejo-as passar
Como um fio de água fresca,
Um rio de beleza...














" Então decide-te! "


- Decidir-me
Para quê?...
Se não posso ter tudo,
Tenho pelo menos
Tudo aquilo de que gosto...



















ELA...


Pain-Killer

Tuesday, July 18, 2006

" SOCIEDADE RECICLADA... "















- Poeta!...
Aonde estás?!

" Á janela. "

- Porque estamos ás escuras?

" Assim o quiseste. "

- É esquisito!...

" Anda vêr!
Repara como a cidade está suja... "














- Isso é o de menos!


" Os varredores
São como sombras deslizando... "

- Como sombras!?
Noutra altura dirias:
SÃO SOMBRAS DESLIZANDO...



















O que se passa?


" Tu é que sabes! "

- Deixemos isso!
Enquanto varrem
Sonham, como tu...














" Haverá sempre varredores? "


- Em qualquer sociedade
Teremos varredores,
MÁQUINAS QUE VARREM!














Haverá sempre

Um mundo de coisas
Para deitar fora...

" É curioso...
Creio que fazemos
O mesmo com os mortos!... "














- Sim...

Mas o simbolismo do caixão
Encobre tudo isso!

Pain-Killer

Monday, July 17, 2006

UMA OUTRA NOITE
AO ENTRAR NO MEU QUARTO.















De facto é bom estar aqui... e até o mais pequeno ruído nos fala... só assim as coisas passarão a ter uma linguagem para nós.

- Esta noite,
Entrou poéticamente pelo meu quarto
Como um estranho viajante,
Mas tu
Ainda não te apercebeste...
Só eu reconheço
ONDE O SILÊNCIO PARECE ESCURECER!...













" E QUASE SE MOVE... "

- Isso prova
QUE NUNCA PODEREI VÊ-LO.

" Lá estás tu! "

- A sua forma
Através das côres
E de linhas componentes,
Associam-se inevitavelmente
Áquilo que já conheço...













" A noite faz-te mal!... "

- Talvez faça...

" O que vês nesta noite? "

- Á primeira vista
Parecer-me-á uma noite especial
Entrando-me pelos olhos,
Tentando convencer-me...













" Convencer-te em quê? "


- Ainda não sei bem...
Apenas sei que é simples...

" Simples?... "

- Sim!... como um palpitar
De borboleta...



















" Como um palpitar... "

- Exacto! Como se...

" É lógico!...
Nesses termos,
Nessas metáforas insuficientes
Está o amor, a poesia,
Não é verdade?...
Vá! Diz mais... "

- Meu caro poeta!...
Devo admitir sem reservas
Que tens evoluído,
Mas estás ainda longe
Do meu raciocínio...














" O que significa essa expressão

Nesse teu sorriso? "

- Sinto que tudo
Quanto expus até aqui
Não foi suficiente...













" É verdade...

E depois, é pouco esclarecedor... "

- Talvez...
Contudo, esta série de idéias
Fez-me sentir a natureza



















NOUTRA NATUREZA...


Pain-Killer

Sunday, July 16, 2006

" PALPITAR DE BORBOLETAS "














- Poeta!...

Sei que me esperas sempre
Concebido em mim
CÁ DENTRO DE TI,
Por isso te amo
Tal como a ELA...

" E esse amor,
Como é? "















- É simples...

COMO UM PALPITAR DE BORBOLETA.

Pain-Killer

Friday, July 14, 2006

" NATIVE SENSE "
















- Poeta!... Que expressão parva é essa?...

" Gosto dela... acho que a amo... "

- NÃO TENS RAZÃO PARA ISSO!...

" Mas é linda!... "



















- Isso não basta.


" Pois... diz isso ás pessoas!... "

- É A TI QUE DIGO
O QUE TENHO A DIZER...
E falando contigo, é como se falasse com toda a gente.

" Para ti tudo é fácil!...
Como posso deixar de gostar dela?... "

- TERÁS DE REVER O PASSADO!...
Depois de analisares convenientemente,
Saberás que aquilo que te deu
NÃO CORRESPONDE AO QUE SENTES POR ELA...
















O facto de ser bonita, nada tem que vêr com os teus sentimentos!

O que vês nela exteriormente, serve só para constatar
Que realmente é bonita...
NADA MAIS!...

NOUTRO PRISMA:
Se duas pessoas se desejam mesmo,
Devem dar-se uma á outra
Seja em que circunstância fôr...
O contrário seriam sacrifícios,
E ISSO NUNCA!...

" Nunca?!... isso abrange todas as situações?... "

- Todos os casos!...

" Como posso aceitar isso, se tu próprio sabes
Que neste exacto momento,
há um número elevado de pessoas a lutarem pela vida,
Pelos filhos, pelos pais,
E com extraordinário sacrifício?... "


- JUSTAMENTE... ISSO É CONDENÁVEL!...

" Bem sei!... mas não é isso que está em causa:
Só pretendo saber se o sacrifício, neste caso
É ou não aceite...
Aliás, penso que não existe outro recurso!... "

- Nessa perspectiva, não deixas de ter razão.
No entanto, a minha intenção
É fazer-te compreender que os sacrifícios
TÊM DE SER EVITADOS...















Onde houver sacrifício,

Alguma coisa está errada.

" É curioso...
Ainda não te ouvi enaltecer o sacrifício!... "

- Que esperas ouvir?...
Que ele distingue as almas?...
Enaltecido será aquele
Que consegue eliminar o sacrifício doutrem!
POETA!...
SACRIFÍCIO É DÔR!...

" E agora o que fazemos?... "

- Tomaremos uma atitude:
Há que proceder de acordo
Com os elementos que possuímos...
Teremos de saber mais, E SERÁ ELA
Quem no-lo dirá!...

" O determinismo partirá de si? "

- Claro!
A PRÓXIMA JOGADA PERTENCE-LHE!...

" E se desistiu do jogo?... "

- POETA!...
NINGUÉM ABANDONA UM JOGO!...
Mesmo a isso que te referes
NÃO É ABANDONO...
Na pior das hipóteses
TERÁ SIDO A SUA ÚLTIMA JOGADA,
E nesse caso, teremos de aguardar.

" Aqui?... "














- Evidentemente que não!...
Este jardim, de momento é repousante...
Faz-nos bem...

" Ela não sabe onde estamos... "

- Se nos quisessse encontrar,
Saberia onde e como fazê-lo...

" Pois é!... não será uma táctica sua?... "

- Não!...
Ela não finge!...
É certo que não nasceu perfeita...

" Defênde-la demasiado!... "

- Não tenho a menor dúvida!...
Tudo o que está a acontecer é por causa dele...
Ela entenderá, possívelmente
Que as coisas terão de levar outro rumo.
( E NISSO ESTÁ ERRADA!!! )
O que não sabe
É QUE NUNCA SE MUDA DE RUMO!...














" Nunca?!... "


- Já te disse:
A HISTÓRIA É SÓ UMA!...

" Mas o vento muda!... "



















- Também não...

" Exageras... mas disseste:
Por causa dele?... não se sentirá ela contrariada?... "

- De maneira alguma!...
Está provado que o lado dele pesa mais,
Mas também é natural
Que a partir de certa altura,
Ela procure equilibrar a balança.



















Veremos...


" Mas se isso suceder, terá que mentir a alguém... "

- Não precisará de tal.

" O que sei, é que as coisas têm mudado para nós!... "

- ESTAMOS EXPOSTOS...
Se bem que este caso é especial!...
A EXPOSIÇÃO É NECESSÁRIA...













" O que é necessário,

É não antecipar as coisas!... "

- Não!
NUNCA SE ANTECIPAM AS COISAS!...


" Lá estás tu!... "

- Tudo é leitura, sequência...
ASSOCIAÇÃO CONSTANTE.

" E se fossemos embora?... "

- Porquê essa atitude repentina?...

" Este calor está insuportável, e além disso
Já não tenho mais folhas... "













- Então vamos... vamos embora!...


( Bom-fim-semana! )

Pain-Killer

Thursday, July 13, 2006

" UM DIA ATEU... "













Calmamente, esfrego os olhos acar
iciando-os.
Em seguida, reparo que a linha do horizonte se alterou... a coisa vem para se mostrar.















"
O que foi isto? "

- Um grito,
Um protesto,
Ou antes:
Somente uma pergunta...

" Qual? "

- Porque continuamos
A amar e a odiar
Com o sentido da arte?...
















" E acontece com todos? "


- É um facto inevitável!

" Que desassossego... "

- Em face do que exponho,
Nem sonhamos com o que somos.
Tampouco
Com aquilo que o resto vale...
Direi melhor:
QUEREMO-NOS PELO NOSSO EXTERIOR
















É aqui que o pensamento desagua.



















O poeta compreendeu:

" É preferível degenerar o assunto,
Talvez utilizar o cinismo
E reconhecer que hoje
Não é dia de colar cartazes,

















É UM DIA ATEU. "


Pain-Killer

Wednesday, July 12, 2006

" SORRISOS ABSTRACTOS "
















Sorrisos abstractos

Murmuram preces surdas...
E os sinos
Continuam a tocar
Dentro de mim.

Sei que morri...
Enquanto que meu corpo
Segue indiferente
O destino da cidade.

Sei que morri...
E sei que sou alguém
Vivendo para os outros,
Alguém que já não vive
Morrendo para si próprio.

Amanhã
Será de novo hoje
Porque morri.
E sei porque morri...
Porque a transcendência
De estar vivo
Me fez morto...



















Como quem soube

O paradoxo da verdade
Em que nasceu.

Pain-Killer

Tuesday, July 11, 2006

" LIBERDADE... MOMENTÂNEA "














- Tenho sede...


" Para onde estás a olhar? "

- Para esta massa salgada
Que me enche...














" Tudo é respiração? "

- Tudo é movimento!...














" Os barcos já se foram... "


- Não faz mal!...

" Que fazes!? "

- Ergo-me neste mar,














ERGO-ME

PENSO
LEVO-ME
DESLIZO
DEMORO-ME,
ESPERO NELE...

Ao mesmo tempo,

E por mera coincidência
Observo como é confortável
Saber que...

" Saber o quê? "
















- Saber que não existo para ele!...

Só assim me libertarei da necessidade
De estar nalguma coisa.

Pain-Killer

Monday, July 10, 2006

" CEPTICISMOS... "















- NADA FAÇO

Por minha livre vontade.



















" Nada mesmo? "


- Nunca intervenho
Naquilo que tu vulgarmente chamas
De " MINHAS INTENÇÕES "...












" Então o que se passa

Verdadeiramente? "

- Penso que existe
Uma espécie de mensagem
Em jeito de parábolas,
Para que mais tarde
Possa haver uma resposta
Num aspecto já expressivo.















" Crês nisso? "


- Custa a acreditar...

Pain-Killer

Sunday, July 09, 2006

" FAROLIM DA BARRA "




















" Sabes...

Estive a pensar... "

- Sim...?!
Em quê?...

" No coração...
É ele quem manda!... "














- Que conversa é essa?...

ISSO É COMPLETAMENTE ERRADO!...
Poeta!...
Devemos procurar vêr as coisas de frente,
E lêr atentamente
Porque tudo é leitura!

" Exemplifica!... "

- Pois bem!... Já olhaste para uma cobra?...

" Para uma cobra? "

- Por exemplo, para uma víbora!...













Repara que ela não deixa de ter a sua beleza,

MAS NÃO NOS CONVÉM!...

" E sobre as flores? "

- Sobre elas, a sua escolha é relativa...
Tanto posso escolher uma rosa,
Como uma camélia...













" A rosa tem outro aroma... "


- MAS TEM ESPINHOS!...













" Já percebi...

E quanto ao meu caso?... "

- Não vejo razão para ficares ressentido!...
Tanto quanto sei, amar não custa:
O mal, só parece estar na recepção,
Correndo-se o risco quando se entra na troca!...

" O que devo fazer? "

- Nada! Sê tu mesmo...
















Será bem melhor, ofereceres esse amor

Á PAISAGEM,
Á POESIA,
AO CÉU,
ÁS ESTRELAS...

" E se tal não fôr possível? "

- Então, é porque estás longe...
Não passaste daí...













" Como?!... "


- Deixemos isso pra mais tarde!...

" É preferível continuar a andar... "

- Também acho...

" Olha!... o que é aquilo? "

- É o farolim da barra.

























" Mal se
vê... parecia-me outra coisa! "

- Pois é... sempre que o objecto da distância
Fica mais perto de nós, o aspecto altera-se
E a sensação é lógicamente outra!...
















Com as pessoas, o caso é idêntico:

Quando as conhecemos de perto a coisa muda.

Pain-Killer